As Degustadas

Aqui colocamos um resumo das discussões que ocorrem durante a gravação do podcast sobre as características e sensações proporcionadas por cada cerveja degustada. No final, uma lista das sidequests também! Fique ligado, pois você sempre poderá encontrar novidades aqui!

1906 Reserva Especial (Podcast) – Quando vista na gôndola do supermercado, ela facilmente se passa por mais uma Pilsen. Mas se trata, na verdade, de uma Viena. As diferenças? Primeiro, a cor. Com uma coloração mais escura que sua prima Lager, a Viena é mais próxima do âmbar do que do amarelo, como um dourado escuro. Segundo, as notas. Pouco lúpulo e muito malte, com notas de toffe, melaço, pão, defumado e madeira. Mas há sim lúpulo nesse exemplar do estilo. Sim, um discreto lúpulo aromático que da à cerveja refrescância e secura. E não se engane pela presença do milho, escrita no rótulo, pois ele está muito bem escondido no fundo desta cerveja espanhola. Harmonize com carnes vermelhas de preparo simples, como bifes acebolados, bistecas bovinas, ou com alimentos de tom defumado e amadeirado.

A Outra (Podcast) – Mais um exemplar do grupo “cervejas sem nada”, este rótulo não chega a ser péssimo porque seria necessário ter um gosto para isso. Mas não é o caso. No aroma, apenas o álcool é sentido. No retrogosto, papelão e milho. A falta de atrativos baixa muito a drinkability, fato que é corroborado pela sensação de sebo na boca, nada agradável.

Amazon Beer Collection (Podcast):

  • Amazon IPA Cumaru – Uma representante de peso do estilo, trazendo notas de amargor bastante fortes ao paladar. Do malte, apenas um leve torrado. Mas do lúpulo, madeira, fumaça, até cinzas. Tanto amargor só poderia permanecer por horas na sua boca. Por isso, não se esqueça de harmonizar por contraste, e um contraste bem forte, como um queijo gorgonzola, ou mesmo um doce de abóbora.
  • Amazon Lager River – Esta Lager tende mais a ser o que você espera de uma Pilsen. Coloração ouro, espuma persistente, aroma floral, malte e lúpulo bem balanceados, saborosa e com drinkability alta, muito alta. Isso porque o retrogosto tem um leve amargor que implora pelo próximo gole. Sendo assim, fica difícil excluir churrascos e carnes assadas da harmonização!
  • Amazon Pilsen – Com notas terrosas no gosto, frutadas no retrogosto e defumadas no aroma, é fácil perceber a complexidade desta cerveja. Seu sabor ainda recebe contribuições gramíneas e florais, o que propicia um toque de lichia no final. A coloração foge um pouco de uma Pilsen tradicional, mas seu dourado é muito interessante. Com tanta novidade, você pode acabar estranhando, por isso colocamos drinkability média. Ah, harmonize com uma Cesar Salad.
  • Amazon Pilsen Bacuri – Quando for degustar essa cerveja, pare tudo o que estiver fazendo e preste muita atenção nela! Desde a coloração amarela clara você já é capaz de desconfiar deste rótulo mais que curioso. Mas não se deixe abater! Siga a degustação para sentir o leve aroma do malte, acompanhado de notas frutadas e de mel. O gosto te surpreende e quebra todas as suas expectativas, pois um agridoce temperado te enche a boca. E com tantas surpresas, o retrogosto com o azedume do bacuri, fruta tradicional da Amazônia, completa uma das mais únicas experiências cervejeiras que você provavelmente participará. Como harmonizar algo assim? Bom, o açaí costuma ir bem com peixes da região e ambos devem ir bem com esta cerveja.
  • Amazon Red Ale Priprioca – Uma Red Ale que busca sua identidade na madeira. Desde a cor, marrom, até o retrogosto, amadeirado, passamos pelo aroma de madeira e pelo gosto, que só é quebrado por um amargor presente. Se você pensou que tanta madeira lembra vinho, siga sua intuição e harmonize com queijos ou com uma bela tábua de frios.
  • Amazon Stout Açaí – Da coleção, a única que ficou no top 3 de todos os degustadores! É uma representante excepcional do estilo, de coloração escura, quase preta opaca, com espuma de boa formação e persistente, com notas torradas sempre presentes, do aroma ao retrogosto. Acompanha este torrado um café, mais presente no retrogosto, tornando esta cerveja ainda mais saborosa. A harmonização é dominada por defumados, como provolone, bacon, copa, mas aceita amadeirados, como funghi e shitake.
  • Amazon Witbier Taperebá – Apesar de encaixar bem no estilo, com cítrico no aroma, picante no gosto, palha no retrogosto e ser refrescante, muitas novidades chamam a atenção nesta cerveja. A presença de mandioca no gosto agrega notas terrosas no aroma e no sabor, além de puxar a harmonização para o equilíbrio. 

Amstel Pulse (Post, Podcast) –  Suavidade e simplicidade nesta cerveja de qualidade renomada. Uma Lite Lager com tudo o que o estilo representa: carbonatação média, cor amarelo claro, malte e lúpulo bem balanceados e suaves ao paladar. Uma cerveja para beber por dias a fio, sem se preocupar se o sabor irá se saturar.

Baden Baden Chocolate (Podcast) – A surpresa está em beber esta cerveja e não encontrar o doce do chocolate! As notas de chocolate estão presentes do começo ao fim, mas somente do seu amargor, e não do seu açúcar. A cor escura, preta, leva uma coroa de uma espuma de boa formação, mas que não persiste muito. O aroma tem notas de baunilha, além do chocolate, o que demonstra ainda mais a tendência desta cerveja em harmonizar com doces. No gosto, o amargor do malte torrado se destaca, o que deixa o final seco e ácido. Receitas como bolos secos, brownies, mousses de chocolate e até rocamboles são os primeiros da lista de harmonização.

Bamberg Alt (PostPodcast) – A excelente cervejaria de Votorantim nos traz um dos exemplares mais premiados da sua seleção. Uma receita que remonta os estilos clássicos alemães e que se destaca em todos os aspectos. De coloração marrom claro, próximo ao âmbar, a cerveja traz uma espuma bem formada e que também apresenta um certa tonalidade bege. No aroma, os voláteis trazem mel e própolis, seguidos por um malte destacado, com caramelo e toffe, além de um torrado. O lúpulo é herbáceo e floral, e se confirma no gosto e retrogosto. No sabor, notas amargas se balanceiam com notas de caramelo, deixando um final persistente. De corpo médio e com pouco destaque do álcool, essa cerveja tem sua drinkability variando bastante de acordo com o bebedor, mas, em geral, é alta. Acompanha bem a culinária alemã, além de costelinhas barbecue, comidas apimentadas e frituras.

Benediktiner Weissbier (Post, Podcast) – Essa cerveja merece sua atenção. A espuma de boa formação e persistente já era esperada, mas a coloração alaranjada e o corpo são excelentes surpresas neste ímpar exemplar do estilo. Seu aroma revela que o trigo é presente, com notas do próprio cereal e de pão também, acompanhado por um leve cítrico e um sutil etílico. O sabor característico de uma Weiss segue a trajetória, com cítrico e gramíneo, e deixa um retrogosto de pão. Com tantas características que agradaram, a drinkability não poderia ser outra que não alta. E a harmonização é tão aberta quanto a drinkability é alta. Pães, roscas, comidas típicas alemãs, salsichas, saladas elaboradas e até um leve contraste com um porco agridoce são algumas das comidas que podem acompanhar esta cerveja.

Brewdog Punk IPA (Post, Podcast) – Mesmo que você não seja um lupulomaníaco, este interessante exemplar você precisa provar. A cervejaria buscou agressividade, rebeldia, caos, e conseguiu. Extremamente lupulada, mesmo para uma IPA, é possível sentir os vários amargores, que atacam em tempos diferentes! Sim, atacam sua língua! O tom grama domina a cena, do aroma ao retrogosto, mas é fácil perceber os lúpulos florais e frutados. E não se deixe enganar pela coloração leve, ou pela carbonatação baixa. Esta é uma cerveja forte, com personalidade. Harmonize por contraste, de preferência salgado, como um hambúguer ou uma carne assada.

Brooklyn Brown Ale (Post, Podcast) – Os prazeres degustativos proporcionados por esta cerveja revelam sua qualidade. A espuma é bastante saborosa, assim como o gosto, com malte se sobressaindo, mas permitindo que o sabor frutado do lúpulo apareça. O retrogosto fica entre o café e o cacau torrado, com leves notas florais. Caixas e caixas seriam insuficientes para cessar o desejo do próximo gole desta deliciosa Brown Ale.

Brooklyn Lager (Post, Podcast) – Uma receita histórica foi a base dessa cerveja icônica. De aparência dourada e com uma espuma bem formada, a Brooklyn Lager se destaca pela ótima qualidade da execução da receita. Os lúpulos ganham destaque em toda a cerveja, do aroma ao retrogosto, com destaque para as notas cítricas, florais e pinus. O malte aparece como coadjuvante, com notas de cereais no aroma e toffe no sabor, equilibrando bem a receita. De corpo leve e sem destaque do álcool, essa Viena é uma daquelas cervejas para se tomar o dia inteiro sem preocupação. Inclusive pela sua harmonização, que pode ser feita com churrascos e carnes assadas, petiscos, cachorro quente (destaque para a mostarda) e até fish and chips. Uma cerveja Must Drink It do CCSAC!

Colônia (Podcast) – Nem a bela lata salva esta cerveja. Além dos aditivos, algo mais deve ter dado errado nesta receita que foi considerada por um de nós a pior cerveja que já tomou. Aroma de álcool, gosto ruim de couro, madeira e papelão e retrogosto de álcool são algumas das características que mostram que não é só jogar tudo na panela e deixar cozinhar. Harmonizar? Bom, se você ainda quer beber este exemplo de cerveja ruim, procure petiscos industrializados baratos, como Fandangos, Baconzitos, ou mesmo algo que possa remover o péssimo sabor dela.

DeuS Brut des Flandres (Podcast) – Sim, já provamos a mais famosa cerveja gourmet do mundo, diversas vezes premiada e conhecida pelo seu processo de fabricação inovador, que tem as segundas fermentação e maturação na região da França conhecida como Champagne. Isso a torna uma cerveja espetacular, pois está na fronteira entre o espumante e a cerveja. Por conta disso, muitas das suas características são muito próximas das dos espumantes, como a coloração amarelo claro, a alta carbonatação, a espuma de boa formação bastante cremosa e os tons cítricos no aroma, sabor e retrogosto. É uma cerveja bem balanceada, bastante complexa e que cumpre o que promete: proporcionar uma experiência em degustação cervejeira. Alguns podem achá-la excessivamente doce, outros podem não considerá-la como cerveja, mas a verdade é que ela é especial. No aroma, além do cítrico, um leve lúpulo frutado aparece. No sabor, notas cítricas, frutadas e amadeiradas, com uma refrescância resultante da união do lúpulo com a temperatura de serviço. A sensação na boca é de veludo, com o álcool efervecendo pelas narinas, muito próxima do que uma espumante deve ser. O retrogosto acompanha tudo isso, comprovando o equilíbrio da cerveja. Harmonizar algo assim pode se mostrar um desafio, mas pense em equilibrar o que você sentiu na cerveja. Algumas sugestões são canapés, bruschettas e quejo brie com geléia de damasco.

Duff (Post, Podcast) – A ideia de criar a famosa cerveja dos Simpson para consumo real foi tão boa que ganhou o mundo. Esta é uma cerveja simples, direta, mas gostosa. Apresenta todas as características de uma pilsen tradicional, como coloração amarelo claro, carbonatação média e espuma não persistente, mas acompanha um leve amargor. Sabor este que não está exagerado ou persistente, mas que garante uma drinkabilidade maior. Acompanha pratos e petiscos pouco elaborados, como amendoim japonês, salame, coxinha e bolinha de queijo, até mesmo um frango empanado. Uma cerveja para se beber sem preocupação. Ruim mesmo só o preço. Nem todo mundo recebe altas cifras como o Mr Burns!

Eisenbahn Dunkel (Post, Podcast) – Mais uma Eisenbahn para rechear nossa página de degustações! Esse exemplar merece destaque pela sua reclassificação sem alteração de nome. Ela é uma Schwarzbier, mas leva o nome de Dunkel. Na verdade, quando degustamos, encontramos características de ambos os estilos e a conclusão é que se trata de uma ótima cerveja! De coloração escura, entre o cobre escuro e o preto, leva no topo uma espuma de boa formação e cremosa. Cremosidade que segue para o líquido, de corpo médio, sabor maltado com notas de café, torrado e toffe, e de final torrado com notas de café e mel. O aroma completa o time com café, toffe e torrado. O lúpulo deixa seu rastro apenas no retrogosto, com um leve floral, mas muito sutil. Com tanto café e torrado, a harmonização leva alimentos defumados e/ou amadeirados, como copa, molho barbecue e molho madeira, e aceita também carnes vermelhas.

Eisenbahn Oktoberfest (Podcast) – Mais uma sazonal na nossa carta de degustadas, esta Eisenbahn merece todas as honras que uma cerveja do estilo pode receber. Cristalina, bastante carbonatada, coloração amarelo-dourada e espuma de boa formação são as características mais desejadas pelos fotógrafos e ela tem todas. O lúpulo lembra frescor desde o começo, com notas gramíneas no aroma e no retrogosto, e ainda traz notas de fumaça. O malte se apresenta em todo o conjunto, com notas de caramelo e de defumado. E todo esse conjunto é de uma drinkabilidade muito alta. Não é a toa que alemães (e o mundo todo) consomem litros e litros per capta desta cerveja durante as festas. Para harmonizar, tradição. Einsbein, salsichões, batatas, carne de porco e outros pratos alemães tão apreciados.

Eisenbahn Pale Ale (Post, Podcast) – Ao ler Pale Ale no rótulo você é levado a acreditar que provará mais uma APA disponível no mercado. Somente quando degusta o primeiro gole é que percebe que não poderia estar mais enganado. Trata-se de uma Belgian Pale Ale. Muitas características são semelhantes, sim, como a espuma não persistente, coloração âmbar-alaranjado e carbonatação média. Mas a lupulagem é bem diferente. Com notas de grama e de flores, o aroma e gosto se confundem e deixam para o retrogosto a definição do floral, seco, com acompanhamento de um leve ácido, como da uva verde. O malte está presente no gosto e é bem definido, caramelo, mesmo tom presente sutilmente no aroma. Para harmonizar, pense em quebrar o amargo, mesmo que ele seja leve. Peixes com molhos elaborados, como um bacalhau a portuguesa, saladas pesadas e carnes são ótimas opções.

Eisenbahn Rauchbier (Podcast) – Quando uma cerveja se propõe a ser marcante por alguma característica em especial, ela deve estar preparada para ser amada ou odiada. A rauchbier não é diferente. Seu marcante fator defumado está presente do aroma ao retrogosto, o que agrada a uns, mas afasta outros. Sua coloração vermelho amarronzada vem coroada por uma espuma de boa formação e persistente, mas pouco resistente. Pouco tempo depois de servir o copo, ela ainda está lá, mas com um volume bastante reduzido. Bastante saborosa, seu defumado lembra bacon. O retrogosto tem notas de malte e defumado e a cerveja como um todo é pouco lupulada. Por ser tão marcante, sua drinkability é muito variável. Lembre-se apenas de harmonizar por equilíbrio.

Eisenbahn Strong Golden Ale (Post, Podcast) – Forte desde o nome, esta cerveja apresenta características bastante marcantes, do aroma ao retrogosto. Seu teor alcoólico alto diminui sua drinkabilidade, mas apenas para sugerir que você a deguste antes de outras atividades degustativas. Seu aroma é fresco, entre a maçã e o floral leve e sua bela cor entre o dourado e o âmbar. A espuma é macia, de boa formação e com uma certa persistência. Seu gosto adocicado agrada paladares mais suaves, mas não chega a inibir os mais agressivos. Seu retrogosto é bastante persistente e lembra toffe, com uma pitada de lúpulo bem suave. É de baixa carbonatação, o que não é muito comum no estilo, mas encaixa muito bem nela. Uma cerveja para quem gosta de força e presença!

Erdinger Champ (Post, Podcast) – Essa controversa cerveja do estilo Weissbier não deve ser ignorada somente porque foi projetada para ser bebida diretamente da garrafa. Não! Ela apresenta diversas características da Weizen, como a alta drinkability, o sabor de trigo e pão, o fundo cítrico e o álcool pouco destacado. Faltou a nota de banana, é verdade, mas isso não reduz a qualidade da cerveja. Uma característica que pode ficar marcada é que o líquido de cor amarelo palha não tem a tradicional espuma grossa, branca e duradoura. Não, a espuma foi retirada para que facilitasse o consumo direto sem que se perdesse boa parte da cerveja pela formação de espuma. Quando provar, harmonize por semelhança, com comidas que podem ser consumidas ao longo do dia e por períodos longos, como churrasco, pães, patês e petiscos. Tortas salgadas também podem cair bem!

Glacial (Podcast) – Típica cerveja de baixa qualidade que inunda o mercado. Com altíssimos teores de aditivos pouco apreciados, como milho, seu sabor é etílico e lembra polenta. Sem aroma ou lúpulo, tem apenas uma característica a ser apreciada, a visual.

Gulpener Herfst Bock (Podcast) – A força do rubi não está apenas em sua cor, como em seu sabor. De espuma persistente e boa carbonatação, essa representante das lagers escuras não esconde suas características. Bastante maltada e com um leve toque de lúpulo, retrogosto maltado que lembra melaço, uma cerveja que marca sua presença. Tão marcante que você toma mais uma, mas não toma o dia todo. Espere o frio para servi-la com pratos fortes e pesados.

Gulpener Korenwolf (Podcast) – Se você acredita que conhece tudo de cerveja de trigo, se surpreenderá com este exemplar bastante aromático. As witbiers usam o trigo não maltado como aditivo e esta cerveja em especial utiliza, ainda, centeio e spelt! Quatro grãos que a tornam um líquido amarelo palha, com uma sensação de refrescância diferente daquela proporcionada pelo lúpulo. Retrogostos cítrico e maltado são exigentes quanto ao próximo gole, sempre querendo mais. Uma cerveja para acompanhar pratos leves e se beber na varanda, ao longo de um dia de verão!

Hobgoblin (Podcast) – Os amantes do RPG não se contém e compram esta cerveja apenas pelo nome. Mas se surpreendem quando encontram uma bebida interessante e saborosa na garrafa. A cor avermelhada dela é uma característica de destaque, mas que não traz nenhuma espuma para o copo. Sua baixa carbonatação revela que a espuma não faz mesmo parte deste exemplar. O aroma não é complexo, mas traz um leve lúpulo ao nariz de notas florais. O gosto é dominado pelo malte, com notas de torrado e chocolate, mas é acompanhado por um lúpulo palha que contrabalanceia muito bem. O retrogosto é seco e traz novamente a mistura malte-lúpulo, com palha, toffe e café, e é também levemente adstringente. A drinkability varia muito, pois é um estilo com lovers e haters, mas não é nula. Harmonizar com queijos leves, lentilha ou risoto será interessante.

Hoegaarden (Post, Podcast) – Witbiers em geral são cervejas temperadas e refrescantes. Este exemplo do estilo não fica atrás, com notas de coentro e frutas cítricas, do aroma ao retrogosto. Outros tons aparecem, como o fermento e o gramíneo, tornando sua drinkability média alta, puxada para alta para os apreciadores do estilo. Sua espuma também é aromática e, pela sua boa formação e persistência, encaixa muito bem no copo. Para completar, uma coloração bem clara completa esta cerveja de receita antiga, mas que hoje é pertencente à uma das gigantes do mercado. Harmonize com pratos frescos, saladas elaboradas, pães e queijos leves. Os caminhos da semelhança e do equilíbrio caem bem com ela.

Kaiser Radler (Podcast) – É possível se surpreender com uma cerveja? Sim, claro! Mesmo quando ela é barata? E por que não? Essa é a Kaiser Radler, que mistura cerveja com suco de limão em uma proporção bastante alta (4:6, respectivamente). Talvez se a cerveja fosse de melhor qualidade, o resultado poderia ser ainda mais interessante. Mas mesmo com essa Lite American Lager é possível identificar diversas características do estilo Radler. A coloração lembra refrigerantes de tônica com citrus, bastante pálida, turva e com aparência de suco de limão. Suco este presente, também, no sabor, como era esperado. Não há espuma, tão pouco presença de lúpulo, mas uma nota cítrica está o tempo todo presente, até no retrogosto. Mas é uma cerveja difícil de beber, ou seja, drinkability baixa.

Karavelle Keller (Post, Podcast) – Há unanimidades entre nós! Eis um exemplo! Esta Lager é tudo o que precisamos para regar nossos dias de mais intensa conversa. Com a cor entre o amarelo e o âmbar e uma carbonatação alta, tudo nela exala alta drinkability. O aroma é lupulado, floral. O gosto maltado, com notas de aveia. E o retrogosto é lupulado de novo, porém frutado! O amargor é presente, mas não é excessivo. A doçura está lá, mas não é enjoativa. ELA FAVORITOU GERAL! Para harmonizar, escolha algo que você adore e siga esse rumo. Nossas sugestões ficam com sanduíches, porções, filé de frango com creme de milho e churrasco.

Karavelle Red Ale (Post, Podcast) – A Karavelle é conhecida por criar suas cervejas sem muito destaque, mas com qualidade. Com a Red Ale não foi diferente. Com a cor marrom avermelhada, a cerveja apresenta uma espuma cremosa, de coloração bege e bastante duradoura. Com uma certa turbidez, a aparência é completada com uma leve carbonatação. No aroma, o malte se destaca com notas amadeiradas e defumadas, mas é possível sentir um pouco do lúpulo, floral e herbáceo. O sabor acompanha o aroma, carregado no malte com notas amadeiradas, defumadas e torradas, mas com um amargor presente, ainda que leve. O final segue com as mesmas notas, com um leve álcool no nariz. A drinkability dela é média alta, mesmo para aqueles que não estão acostumados. Acompanha carnes vermelhas, saladas elaboradas e molhos amadeirados.

Leffe Blond (Podcast) – Esta saborosa exemplar do estilo traz sensações deliciosas ao degustador. Seu aroma floral apresenta aos sentidos uma introdução do que virá. Seu gosto maltado traz temperos picantes à língua, lembrando toffe e com um suave sabor amanteigado. Seu lúpulo, floral, só aparece no final, deixando um retrogosto saboroso e desejoso. Desejo esse que só se sacia após o próximo gole. Quando o copo seca, vale a pena completá-lo para apreciar o belo dourado desta cerveja, coroado com uma espuma de boa formação e persistente. Não hesite em harmonizar com carnes vermelhas assadas, saladas com carnes, ou molhos agridoces. E beba com prazer!

Murphy’s Irish Red (Post, Podcast) – Uma Irish Red Ale tem uma característica bem definida: simplicidade. Não seria diferente com este exemplar, como confirmado na degustação. Sua coloração avermelhada lembra cobre claro, muito bonita de se observar. Observação essa que revela baixa carbonatação. Apesar do baixo amargor, este é levemente persistente, mas é facilmente coberto pelo sabor pronunciado do malte. Sua espuma é cremosa, mas pouco duradoura. O retrogosto lembra caramelo, não pelo adocicado, mas pelo próprio sabor do caramelo. De drinkabilidade controversa, os que gostam bebem litros, os que não gostam bebem apenas uma garrafa.

Paulaner Hefe-Weissbier (Post, Podcast) Esta bela exemplar do estilo Weissbier apresenta coloração dourada, apesar de ser turva. Sua espuma é persistente e saborosa, seu aroma lembra o trigal e seu sabor é dominado pelo trigo. Apesar de pouco lupulada, os paladares mais sensíveis podem notar seu amargor leve e bem encaixado. Pouco carbonatada, a sensação ao engolir é sedosa e, na boca, apresenta crocância baixa. O retrogosto é frutado, como esperado devido ao estilo, com notas de banana, maçã e canela. Uma cerveja para beber em quantidade!

Paulaner Salvator (Post, Podcast) – A pioneira do estilo Doppelbock tem muito a oferecer. Sua coloração entre o cobre e o marrom e sua espuma cremosa e de boa formação já mostram de que se trata de uma cerveja forte, com identidade. O aroma destaca o malte, com notas de toffe e caramelo, mas libera também fragrâncias de fermento e própolis. O sabor acompanha a tendência, apresentando mais um toque maltado, de torrado, mas também mostra um leve lúpulo refrescante, bastante camuflado entre tanto malte. O retrogosto seco, traz o lúpulo mais um vez, assim como o própolis, além de um amargor de malte torrado. Levemente adstrigente, a sensação é de uma cerveja cremosa. A harmonização não pode deixar de fora pratos tradicionais alemães, como salsichões, joelho de porco e bisteca suína, mas aceita também cordeiro e outras comidas de sabor forte.

Samba (Podcast) – Pouco a se falar de uma cerveja que não se destaca em nada. A coloração se aproxima das de grande circulação, mas é o mais próximo que se chega. Aroma azedo, sem complexidade, sem sabor, com retrogosto muito fraco, é uma cerveja insossa, mesmo para os pouco exigentes.

Septen Pale Ale “Friday” (Podcast) – Uma cerveja grega? Para beber de sexta-feira? Sim! Um líquido dourado intenso, com espuma de boa formação e aroma de lúpulo é uma boa descrição do que podemos esperar de uma cerveja grega do estilo Pale Ale. Seu amargor é persistente, fresco e gramíneo. O malte quase não aparece, mas quem o sente lembra de toffe. O retrogosto é dominado pelo lúpulo, mas deixa notas de uva verde. É uma cerveja para poucos copos, é verdade, mas não deixa de ser saborosa. Carnes de caça, molhos condimentados, molhos agridoces e até doces fortes harmonizam muito bem com esta exemplar mediterrânea. Sim, o contraste é que rege a banda por aqui.

Septen Premium Red Ale “Thursday” (Podcast) – A melhor definição para esta cerveja é incomum. Se você procura um Red Ale que foge dos padrões, é esta que você deve comprar. Sim, torrada. Sim, toffe. E sim, lúpulo! O amargor é persistente e saboroso, presente do início até o retrogosto. Os sabores do malte rebatem bem o amargo, mas não se sobressaem, o que torna a cerveja ainda mais interessante. A cor é cobre, puxado pro vermelho-amarronzado, e sua espuma não é branca! Com tantas diferenças, alguma semelhanças. Harmonize com carnes vermelhas mal passadas, carnes de caça, molhos condimentados ou agridoces. E não se esqueça: é uma RED ALE!

Simon Régal (Podcast) – Este é um dos melhores exemplos de alta drinkability que podemos encontrar. A beleza começa no copo, com um dourado levemente alaranjado coroado com uma bela espuma bem formada. O aroma traz um leve malte caramelo acompanhado de notas cítricas, com destaque para o limão. Destaque esse que reaparece no retrogosto, acompanhado pelo sabor maltado de açúcar. Redundante? Não, simplicidade. Equilibra a cerveja um amargor floral saboroso que é responsável por quebrar tanta doçura e deixar a cerveja ainda mais fácil de beber. Você precisa pensar em alimentos de fácil consumo para harmonizar com ela, como onion rings, por exemplo. Mesmo se optar pelo contraste, que seja um que equilibre com a drinkability.

Southern Tier 2xIPA (Podcast) Os hoplovers “piram” ao ver o 2x antes do nome IPA. Apesar de apresentar 4 variedades de lúpulo, seu amargor bem pronunciado não é extremo, deixando um delicioso retrogosto persistente e seco. Sua cor amarelo ouro e sua carbonatação baixa criam um visual belo e destacado. A espuma é cremosa e o aroma apresenta notas frutadas e cítricas. Mas esta não é para qualquer bebedor. Afinal, é uma IPA.

Southern Tier Phin and Matt’s (Podcast) Uma típica representante do estilo American Pale Ale, suas características são bem definidas e marcantes. Com aroma pronunciado de lúpulo e com alguma complexidade, espuma cremosa e cor entre o âmbar e o dourado escuro, esta cerveja destaca-se por trazer variedades de lúpulos e maltes bem balanceados. Seu gosto lupulado completa o retrogosto floral e fresco. Com uma drinkabilidade média, esta é uma cerveja para ser escolhida.

Wäls Petroleum (Post, Podcast) – Esta é uma cerveja para ser experimentada com alguma experiência já. Não que você deva esperar até lá, mas vai aproveitar melhor toda a complexidade dela quando entender mais o que você sente ao prová-la. Complexidade essa que contempla toda a cerveja, do visual ao retrogosto. De coloração preta opaca, seu líquido é coroado por uma espuma persistente com de cor de chocolate, e apresenta sedimentos na garrafa e no copo. O aroma, talvez a mais complexa das características dessa excelente cerveja, apresenta diversas notas, com destaque para o chocolate, café e toffe, mas que apresenta ainda torrado e pão. O gosto acompanha a complexidade da cerveja e traz sabores maltados de torrado, café e cacau, com um lúpulo que faz a transição entre o gosto e o retrogosto. Este apresenta notas de torrado, cacau, folhas secas, chocolate amargo e um suave lúpulo herbal, é de final seco e apresenta uma leve picância. A sensação é de uma cerveja encorpada, alcoólica e forte. Harmonize por equilíbrio, buscando a força da comida para balancear com a força da cerveja. Sugerimos massas pesadas com molhos fortes, como um capeletti com molho funghi, e doces que puxem para o amargo, como torta mousse de chocolate ou brownie de chocolate com sorvete de creme.

Way Cream Porter (Podcast) – Este exemplar gerou opiniões bastante díspares sobre ele, mas em algo todos concordaram: segue o estilo. Um dos pontos mais controversos foi justamente sua espuma que, apesar de não ser de boa formação, é bastante persistente. A questão toda era que ela não tinha um aspecto muito tradicional, com coloração e com bolhas desuniformes, ainda que cremosa. No aroma, café, toffe, caramelo, defumado, biscoito. No gosto, café, toffe, torrado. No retrogosto, café, torrado, álcool, toffe. Adstringência presente também no retrogosto, que também era seco. Sim, outro ponto comum, uma cerveja pesada. Para harmonizar, boas opções são os embutidos, principalmente os defumados, e os sabores amadeirados.

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