A batalha das micros

O país passa hoje por uma revolução no mercado cervejeiro, movimento este muito semelhante ao que ocorreu nos EUA no início da década de 90, mas impulsionado pelas facilidades de importação/exportação que a globalização trouxe. O número de produtores artesanais e de microcervejarias cresce a cada ano e deve atingir 2% do mercado nos próximos 10 anos. Hoje essa fatia é menor que 0,2%.

Mas um grande obstáculo para a categoria é a alta carga tributária do setor, principalmente porque as novas produtoras não podem optar pelo Simples Nacional, uma vez que são produtores de bebidas alcoólicas. Já existem projetos de lei e emendas para facilitar a vida dos pequenos, como mostra esta reportagem, mas o andar é lento. Alguns estados se anteciparam e criaram uma legislação própria sobre o tema.

A briga se intensifica a cada dia, pois uma comparação simples mostra que o litro produzido pelas grandes sai da fábrica com um custo de cerca de R$ 0,40, enquando o litro das microcervejarias dificilmente fica abaixo de R$ 2,00. Depois de todos os impostos, iguais para ambas, a cerveja artesanal chega custar até 10 vezes mais, enquanto que em países com a cultura cervejeira mais consolidada essa diferença fica próxima aos 50%.

O que anima o setor é que cada vez mais pessoas tem buscado o diferente, o artesanal, o sabor. Com um público disposto a pagar até R$ 200,00 por uma garrafa e que gasta mensalmente mais com cervejas especiais do que com as de alta circulação, a tendência é que o número de pequenas produtoras aumente. Mas a redução tributária poderia alavancar o que tem sido um importante movimento gastronômico no país.