CFC #014 – Chico Breja e Família 1 BJCP (Standard American Lager)

Esse é o início de mais uma série do Cerveja Feita em Casa! Vamos debater todos os estilos do BJCP!

No programa de hoje, a dobradinha da Chico Breja e o primeiro episódio da série sobre as famílias do BJCP!

Após o encerramento da série sobre processos de fabricação, damos início a mais uma sequência no Cerveja Feita em Casa. A partir desse episódio, vamos debater cada um dos estilos do Guia BJCP 2015, começando pela família 1!

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Ouça o programa no YouTube: CFC #014 – Chico Breja e Família 1 BJCP (Standard American Lager)

Podcast editado por Rafa Oliveira!

Ao todo serão 34 episódios, com direito a alguns extras no meio do caminho! Para começar, vamos ao começo! A família 1 do BJCP corresponde às Standard American Beers, onde podemos classificar a maioria das cervejas massificadas. Você pode até pensar se há motivo para se falar dessa família, mas após ouvir o episódio, acho pouco provável que você continue com esse raciocínio.

Não digo isso pelos estilos que também fazem parte dela, como o Cream Ale e o American Wheat Beer, mas porque é importante conhecer o que um cervejeiro pode fazer e onde ele pode explorar, experimentar coisas novas, criar.

Porém, para poder debater temas tão relevantes, fiz questão de dedicar alguns vários minutos aos termos utilizados pelo guia que são definidores de estilos e fundamentais para a interpretação de sensações. Ainda que a análise sensorial tenha muita subjetividade, os elementos que compõem um estilo são bem objetivos.

Os termos do BJCP

  • Lúpulos:
    • Lúpulos Americanos: são aqueles utilizados pela indústria pós revolução cervejeira, em especial em cervejarias artesanais. Normalmente apresentam notas cítricas, de frescor, resinosas ou similares. Variedades mais modernas ainda apresentam notas de fruta de caroço, berrys (cereja, amora, framboesa, etc) e melão;
    • Lúpulos do Velho Mundo: variedades tradicionalmente europeias, incluindo derivações da espécie Saaz, espécies inglesas e outras variedades da Europa Continental. Normalmente são descritos como contendo notas florais, condimentadas, herbais e terrosas. Em geral menos intensos que lúpulos do Novo Mundo;
    • Lúpulos do Novo Mundo: variedades americanas em conjunto com espécies da Austrália, da Nova Zelândia e outros países que não são do Velho Mundo. Além das notas citadas nos lúpulos americanos, podem apresentar também frutas tropicais, uva verde e outros aromas interessantes;
    • Lúpulos derivados do Saaz: também chamados de lúpulos nobres, são conhecidos por serem considerados os melhores lúpulos europeus para fabricação de cerveja. As notas são florais, condimentadas ou herbais, sempre suaves. Raramente são agressivos ou ásperos, normalmente são mais sutis e elegantes por natureza;
  • Maltes e termos de brassagem:
    • Malte Munique (Munich): pode prover notas de pão ou similares, normalmente associado à adição de maltes de alta qualidade e que oferecem uma riqueza de sabor (prolongado) sem deixar um dulçor residual. Em versões mais torradas, pode adicionar notas tostadas semelhantes a casca de pão torrada;
    • Malte Vienna: pode prover notas de casca de pão não tostado, ou seja, mais suaves que as versões mais torradas do malte Munique;
    • Malte Pilsen (Pilsner, Pils): bastante característico, apresenta notas suaves de cereais, leve tosta, algo similar ao mel e um suave adocicado. Produz DMS com facilidade, portanto sua utilização pode resultar em suaves notas de milho cozido;
    • Produtos Maillard (pronuncia-se “my-YARD” [mai-iárdi]): em versões anteriores do guia aparecia como malte melaoidina. Na verdade, representam uma classe de produtos que apresentam complexas interações entre açúcares e aminoácidos em altas temperaturas, resultando em cores amarronzadas e notas ricas de malte, podendo se aproximar ao hidromel;
    • Biscoito: seco, com notas de cereais tostados, farinha ou massa de biscuit. Tradicionalmente associado aos maltes e aos estilos ingleses;
  • Levedura e Fermentação:
    • Fermentação limpa: aquela que não deixa nenhuma nota residual de fermentação, ou que as notas se apresentam de forma suave. Normalmente indicam ausência de ésteres, diacetil, acetaldeído ou similares, exceto quando mencionados;
    • Fruta Pomo: ainda que existam diversas frutas pomo, na cerveja são relacionadas apenas maçã e pera;
    • Frutas de caroço: frutas frescas com apenas um caroço, como cereja, pêssego, manga, ameixa, damasco, etc;
    • Brett: também chamado de Brettanomyces, são leveduras utilizadas para agregar notas complexas frutadas ou funky, com destaque para couro, suor e funk. Normalmente é associada a produtos acondicionados em barris. Comumente são utilizadas as variedades B. bruxellensis e B. anomalous, ainda que elas sejam conhecidas também por outros nomes. Possuem fenótipos aos moldes do que ocorre com a Saccharomyces cerevisiae;
  • Qualidade e Off-Flavors
    • Qualidade (aspecto) de adjunto: aroma, sabor e sensação na boca de cervejas que utilizam altas porcentagens de cereais não maltados. Pode se apresentar como notas de milho, corpo mais leve, ou mesmo uma cerveja de sabor mais fraco (não confundir com suave). Não significa que foram utilizados adjuntos de fato, apenas remetem a essa impressão;
    • DMS: ou dimetil-sulfato, pode se apresentar de diversas formas. A maioria das vezes é inapropriado em qualquer estilo. No entanto, notas suaves de milho cozido podem aparecer em cervejas que utilizam altas porcentagens de malte pilsen. Caso apareça listado como apropriado, remete a essas notas suaves, e não a vegetais cozidos;
    • Rústico: aspecto grosseiro, áspero, robusto, remanescente de ingredientes tradicionais e mais antigos. Provavelmente uma experiência sensorial menos refinada;
    • Elegante: suave, saborosa, refinada e agradável. Sugere ingredientes de alta qualidade e bem manuseados. Não apresenta aspereza, arestas ou sensações que agridem a boca;
    • Funky: um termo que pode ser positivo ou negativo, dependendo do contexto. Quando desejado, normalmente apresenta celeiro, umidade, leve terroso, couro de cavalo ou fazenda. Se indesejado ou excessivo, pode apresentar notas de silagem, fecais, fraldas ou suor de cavalo;
  • Aparência:
    • Belgian Lace (Laço Belga, Renda, Renda Belga): padrão persistente desenhado pela espuma na parede do copo conforme a cerveja é consumida. Tem a aparência das rendas utilizadas na Bélgica e é um indicador de qualidade nesse mesmo país;
    • Legs (Pernas): também se refere a padrões desenhados no copo enquanto a cerveja é consumida, mas pelos resíduos do processo de fabricação. Não é um indicador de qualidade. Pode indicar alta graduação alcoólica, açúcar ou glicerol;
  • Para maiores informações, detalhes e outras características não listadas aqui, acesse a fonte aqui.

Aproveitei o episódio e contei um pouco da história do BJCP e como ele se tornou importante para o mercado. Também explico, por cima, as razões que me fizeram optar pelo BJCP ao invés do guia da Brewer’s Association (BA), ou mesmo o RateBeer.

Na avaliação, a dobradinha do Philipe, uma American Pale Ale da Chico Breja! Uma cerveja sensacional, que teria recebido ainda mais pontos se fosse classificada como pertencente a outro estilo e que pode servir de base para futuras experiências da cervejaria.

Referências