Harmoniza Com S1D5 – Técnica e Serviço

Teoria, trabalho, prática e um bônus! 

Para fechar a primeira semana do curso, tivemos uma rodada intensa de atividades. Começamos discutindo a teoria por traz da técnica e do serviço em um evento harmonizado. Falamos do trabalho, a ser apresentado ao longo da segunda semana. Tivemos a prática, com diversas sugestões muito interessantes de harmonização. Fechamos com um bônus! Descubra no final.

Começando pelo meio, o trabalho será criar um jantar harmonizado, ou melhor, planejar um. A parte de execução ficará de fora, por enquanto. O importante aqui, na verdade, é demonstrarmos a capacidade de imaginar um evento por completo, da entrada à sobremesa, com todos os elementos intermediários que acharmos válidos.

Trabalho por trabalho, seria muito prático aproveitar aquele do curso de Sommelier, até para avaliar se as escolhas foram corretas. Mas como a proposta desse curso é outra, ainda que complementar, farei um do “zero”. Já tenho algumas ideias na cabeça, mas você só vai descobrir quando o curso acabar. Afinal, apresento somente no último dia de aula.

Técnica e Serviço

Voltando para o começo, existem algumas preocupações gerais importantes na hora de planejar um evento. Ou, ainda mais complicado, planejar uma harmonização dentro de um evento sem qualquer relação direta com a cerveja, a comida ou a harmonização em si. Uma divulgação de novos produtos para clientes, por exemplo.

Avaliar e listar as harmonizações, planejar sua ordem dentro do evento, colocar ou não um rótulo de boas vindas, não exagerar na dose, criar um ambiente para encantar os convidados. Isso sem contar as atividades da cozinha e da montagem que impactam diretamente na sua apresentação. Afinal de contas, você quer entregar uma experiência completa.

Experiência essa que depende, também, de provar todos os itens da maneira correta. A harmonização bem executada pede que os elementos sejam provados separados antes de serem degustados juntos. Só assim é possível que a pessoa sinta as diferenças causadas pela cerveja no alimento, e vice-versa.

Harmonizando

Pegadinhas, complexidade e uma faixa bônus!

A ausência de álcool em uma cerveja tem diversos impactos, principalmente quando o método de fabricação dela prevê uma fermentação incompleta. Apesar de saborosa e bonita no copo, as notas de fermentação simplesmente não apareceram e a impressão geral era de que se tratava de uma cerveja fraca. Por isso, as harmonizações giraram em torno de escolhas leves. Fiquei com um croissant com manteiga suave.

Já ausência de glúten tem efeitos diferentes. Todavia, nossas garrafas sofreram com contaminação, então prefiro não falar desse exemplar aqui, nem de suas harmonizações. Não seria produtivo.

Passemos para a porrada de 10 lúpulos na sua cara! Muita fruta nessa cerveja, cítricas e tropicais, com um final seco na medida. Ela é tão convidativa que os pratos sugeridos foram vários e variados, mostrando uma boa pluralidade dela. Minha sugestão foi tender assado com mango chutney.

Uma Triple Black IPA com doces? Sim! Ainda mais quando essa cerveja vem carregada de notas de café, chocolate e com amargor de torra. Ainda que minha sugestão tenha sido com assado de tira, os doces tiveram destaque na aula. Um brownie com sorvete de canela e um Thunder From Down Under foram as proposições mais bem aceitas.

Fechando a noite (não esqueci do bônus não!), uma Russian Imperial Stout com pistache, complexa, saborosa, com notas de café expresso, cacau, chocolate amargo, baunilha, presença do amargor de torra, aquecimento alcoólico. O pacote completo. Confesso que o pistache só me apareceu quando ela esquentou um pouco e depois que foi anunciado. Mas isso não impediu que minha escolha para harmonização fosse trufa de chocolate amargo.

Bônus

Poderíamos ter parado ali, mas o André trouxe mais uma das suas cervejas e o Harriot achou interessante nos proporcionar outra experiência. O que ocorre é que o professor é juiz do BJCP e nos sugeriu que fizéssemos a avaliação da cerveja aos moldes das competições que utilizam o guia como base. Aceitamos o desafio!

Separamo-nos, então, em duas mesas avaliadoras e seguimos a ficha de avaliação, pontuando aroma, aparência, sabor, sensação e características gerais. Foi interessante seguir o roteiro que sigo para avaliar as cervejas do Cerveja Feita em Casa, mas de uma maneira mais próxima da real. Igualmente interessante descobrir que eu pego leve!

No fim, a mesa que fiz parte deu 36 e a outra mesa, 28. De forma grosseira, a média (32) a classificaria como muito boa, o que, de fato, ela era. Se tratava de uma Weizenbock bem interessante. Entregamos as nossas avaliações ao André para que ele fizesse as alterações que achasse pertinentes.