Ser Sommelier S2D2 – Escola Alemã

Com foco no consumo local e uma tradição milenar, fechamos ontem a primeira das escolas cervejeiras, a escola alemã!

Última sessão dirigida de escola alemã!

Ainda não acabou a semana, mas fechamos mais um tema no curso. Dessa vez, fizemos a última aula sobre escola alemã, que, vale destacar, não abriga apenas a Alemanha, mas também a Áustria e a República Tcheca. Em um primeiro momento, parece um conjunto um tanto estranho, como assim colocar a Pilsner Urquell junto da Kaiser Bock?! Mas calma, avaliando com objetividade, fica claro que essa união vem pela similaridade.

Pense comigo, os maltes, os lúpulos nobres, a resistência ao uso de outros ingredientes, forte uso de leveduras Lager e uma valorização do produto local. Todas características do cenário cervejeiro desses países (e de outros, vale notar). Todas características da escola alemã. Mais de 5 mil rótulos perfazem esse mercado que, até hoje, nutre rivalidades entre cidades vizinhas, como Colônia e Dortmund, por exemplo.

Perguntei, em off, para o Riccelli sobre as novas cervejarias alemãs e ele destacou o óbvio, elas não fabricam estilos ditos alemães. De fato, em conversa com amigos que viajaram para lá, várias marcas, como a Republic Crew, não tem saída no mercado interno, mas exportam muito bem. É muito provável que essas cervejarias levem décadas para serem bem aceitas localmente, isso se não decidirem migrar sua produção para outro lugar.

Tradições locais

Aqui um bloco que poderia ser classificado como alívio cômico. Pra variar, as tradições cervejeiras locais tiveram um início muito diferente do que é praticado hoje, ou mesmo nem surgiram naquele local! É o caso do Café Bávaro, que surgiu na… Áustria. Sim, era costume consumir salsicha, pretzel, mostarda e cerveja logo pela manhã, principalmente entre os produtores de salsichas artesanais (ou caseiras). Um verdadeiro café da manhã dos campeões.

Seguindo com a desconstrução de mais uma festividade, a Oktoberfest, que remonta o casamento do rei Ludovico, onde não foi servida cerveja. Pois é, a maior festa cervejeira do mundo, comemorada e recriada em diversos países, surgiu sem o costume de se servir cerveja. Mesmo depois da sua introdução, em 1818, a tradição continuou em mutação. Antes, o consumo era de um estilo que remonta o fim da produção de cerveja em março, o Märzen. Hoje, o estilo mais consumido é bem mais próximo de uma Helles.

Depois dessas, nem me arrisco a falar dos Beer Spas tchecos. Destaco apenas que você entra em uma espécie de ofurô abastecido com cerveja e há uma torneira engatada ao lado da banheira. Ou seja, cerveja por todos os lados. Não recomendo o consumo da cerveja do banho, apenas a da torneira. Fica a dica passada pelo Riccelli, é mais barato usar um desses Spas como hotel (já que eles permitem a pernoite) do que de fato ficar em um hotel.

Degustações

Fechando a sequência de degustações dirigidas da escola alemã, tivemos uma sequência com exemplares que mostram como há diversidade e complexidade na escola. Abrimos com uma Berliner Weisse, passando para uma Leipzig Gose, Schwarzbier, Bock Rauchbier, Doppelbock e fechamos com uma intensa Malt Liquor. E dessa vez fiquei satisfeito comigo, encontrando notas sutis e errando menos.

Complexidade e diversidade são possíveis na escola alemã!

Mas fica aqui meu relato de viagem intergalática. Na segunda amostra, tive dificuldade em nomear o aroma que estava sentindo. Meu cérebro, muito malandro, disse “maçã”. Maçã, maçã, maçã e, de repente, sentia maçã em tudo, até na cor. Pensei comigo “maçã, que dahora, vou estourar no norte”. Avaliação feita, caderno de estilos na mão e sim, há um estilo da escola alemã onde a maçã (na verdade, o acetaldeído) deve prevalecer. Não tive dúvidas, anotei em letras grossas “Kellerbier Kölsh”. Espero voltar a tempo da próxima aula.

Total de degustações: 34