Ser Sommelier S3D1 – Escola Anglo-Saxônica

Começando a terceira semana do curso de Sommelier com um tema delicioso, Escola Anglo-Saxônica!

Inglaterra, Escócia e Irlanda compõe a Escola Anglo-Saxônica!

Nova semana começa e você deve estar se perguntando o que será essa escola anglo-saxônica. Talvez você conheça pelo nome mais comum, escola inglesa, ainda que seja uma denominação incorreta. Não se preocupe, é muito mais comum ouvir e ler sobre a segunda, ainda que todos esses temas sejam referentes ao conjunto dos países que compõe a escola, não só a Inglaterra. Além dela, temos Escócia e Irlanda, e todas estão juntas porque compartilham processos, insumos, estilos e história.

Falando em história, é curioso pensar que a região tenha demorado a utilizar lúpulo na fabricação de suas cervejas. Sim, para alguns locais das ilhas, a plantação de lúpulo era simplesmente inviável. Também temos um problema com o volume de produção reduzido. Mas as características dos lúpulos ingleses são tão marcantes, inclusive determinando diferenças entre estilos, que a impressão que temos é de que sempre se teve a trepadeira por lá.

Como se não fosse suficiente, diversas disputas entre ingleses e escoceses marcaram a história cervejeira da região. Isso porque os clãs eram ótimos produtores de maltes, enquanto os lordes detinham a quase totalidade da produção de lúpulos. Bastava uma proibição real à utilização de outros ingredientes conservantes além do lúpulo que você tinha uma batalha fiscal entre os territórios. Resultado, cervejas inglesas são tradicionalmente mais leves e menos alcoólicas, enquanto as escocesas são menos lupuladas.

Tradição

Alheia ao que acontecia na ilha vizinha, a Irlanda remonta uma tradição milenar na fabricação de cervejas, com preferência para aquelas mais escuras. Esse apego é tão forte que nem mesmo a explosão de estilos Lagers pelo mundo e a enxurrada de American Standards no pós guerra foram suficientes para ameaçar a produção local. E aqui vemos outra forte característica da escola anglo-saxônica.

Assim como os alemães, o consumo de produtos locais sempre foi fundamental no crescimento e manutenção da escola. Mas com uma diferença sensível. Aqui, não há disputas pela melhor cerveja entre cidades, vilas ou povoados vizinhos. Aqui, o importante é saber apreciar sua cerveja no fim do dia, de preferência em um pub e rodeado de pessoas. Essa tradição foi tão forte que deu origem a um dos movimentos de resgate à cerveja de maior destaque no mundo, o CAMRA.

Campain for Real Ale, ou CAMRA, surgiu com a proposta de resgatar os verdadeiros estilos ingleses anglo-saxões, armazenados em casks (barris de madeira) e servidos com pressão manual, o que trouxe a fama de cerveja flat para a escola. Hoje o movimento já conta com mais de 150 mil membros e promove locais onde a tradição é mantida. E fica a curiosidade de que as cervejas engarrafadas acabam sofrendo a injeção de gás carbônico na hora do envase, então é comum encontrar avaliações diferentes para garrafas e casks.

Degustação

Como eu gosto da escola anglo-saxônica. Sei que vou me deliciar nessa semana de imersão e o primeiro dia já começou com excelentes estilos. O primeiro foi Special Bitter, seguido por Extra Special Bitter (ou ESB), Irish Cream Ale, Brown Ale, uma verdadeira English India Pale Ale, passando para uma Stout e encerrando com uma Oak Barrel Aged Scotish Ale. Dessa vez, com o conjunto cada vez mais calibrado, muitos acertos sensoriais e alguns de estilo!

Uma bela sequência de cervejas das terras das ilhas!

Antes que o Riccelli fique bravo comigo, na segunda amostra não soube definir uma das notas que senti. Engraçado que o restante da análise bateu, mas essa nota ficou em destaque para mim. Minha primeira interpretação foi de que poderia ser uma oxidação, mas, de fato, não era. Vou precisar revisitar essa cerveja com calma para ver se consigo entender a mensagem dela. E justo de um estilo que considero como um dos meus favoritos, quem diria.

Total de degustações: 45