Ser Sommelier S6D2 – Escola Brasileira

Passos de formiga e sem vontade? Que nada! A escola brasileira quer reconhecimento e quer agora!

Escola brasileira em sua mais variada forma!

A pergunta é justamente essa, existe uma escola brasileira de cerveja? Como que ela seria? Como que definiríamos um estilo como sendo nosso? Foi isso que tentamos responder no que foi chamado de aula com conteúdo extra. Isso porque é matéria que não cai na prova, mas não quer dizer que não seja importante. E é importante por uma questão muito simples. O ritmo de crescimento do mercado somado à criatividade e inventividade brasileira criaram um cenário bastante particular e com rótulos desejados no mundo inteiro.

Temos as ferramentas para tornar isso possível? Algumas. A produção de malte nacional está melhorando e teremos variedades dos chamados maltes especiais produzidos internamente. O lúpulo teve sua primeira colheita em volume e qualidade cervejeira agora. A levedura brasileira foi isolada e aprimorada e já pode ser usada industrialmente. E em um país continental como o nosso, temos todo tipo de água que se possa querer, sem contar na possibilidade de manipulação.

Entram os extras, toda a nossa variedade de frutas, raízes, madeiras, sementes e afins. Os primeiros passos em abrasileirar estilos foram dados nesse caminho. Colorado e Amazon Beer tem tradição em fazer cervejas de outras escolas adicionando algum ingrediente nacional. Dentre eles, podemos citar rapadura, mandioca, taperebá, erva-chama, caju e tantos outros. Nessa mesma linha, temos o surgimento da Berliner Weiss com fruta, ou o chamado estilo Catharina Sour (não oficializado nem por BJCP, nem por BA).

Consumidor infiel, mercado desunido

Calma, não é o fim do mundo. Também não chega a ser uma novidade. O Bebendo Bem já tinha apresentado números que mostravam descaradamente que o consumidor nacional não é apegado a marcas, pelo menos no universo de cervejas craft (ou artesanais). Isso obriga as cervejarias a se reinventarem a cada brassagem e também abre espaço para novas cervejarias se firmarem no mercado. Por um lado, chega a ser uma característica positiva.

Por outro, o mercado nacional ainda sofre com a desunião e o orgulho. Em uma realidade com muitos ciganos (que não são donos das próprias receitas) e poucas plantas servindo como encubadoras, é de se espantar que casos como a Petroleum sejam raros e, ao mesmo tempo, emblemáticos. Atitudes como boicotes a festivais e inimizades entre distribuidores e fabricantes só reforçam essa teoria.

Mas o mercado continua crescendo, insensível às mudanças de humor de seus atores. E existe um motivo! A cerveja nacional é um produto de extrema qualidade. É lógico que existem exemplares de cervejarias e rótulos que são razoáveis, ou mesmo medíocres, mas a maioria preza muito pela qualidade. E faz todo sentido, afinal, como manter as vendas de produtos acima dos trinta reais sem que eles sejam atraentes, saborosos e de qualidade?

Degustação

Conteúdo extra pede degustação faixa bônus! Foram nada menos que 9 rótulos avaliados na aula, todos remetendo ao que pode vir a ser a escola cervejeira. Berliner Weiss (com bergamota), White IPA (com caju), Berliner Weiss (com frutas vermelhas), Brett Sour (com limão), Red Ale (com priprioca), Brown Ale (com café), Imperial IPA, [Brazilian] Barleywine (com cumaru) e uma segunda Imperial IPA. Uma sequência arrasadora.

Nove taças de cerveja na mesa, nove taças de cerveja! Se uma delas cair no chão, quantas ficarão?

De novo, todas as cervejas com qualidade excelente, bem construídas, com prêmios nacionais e internacionais, reconhecimento. Algumas com ingredientes brasileiros. Diversas regiões representadas, do Pará à Santa Catarina Sour. Uma prova que temos variedade, criatividade e vontade de tornar a escola brasileira uma realidade. Não sei dizer quando que isso vai acontecer, mas é evidente que uma hora vai acontecer.

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