Brasil Brau 2019 – Como foi a feira

Com foco em produção, a feira Brasil Brau reuniu grandes nomes e players internacionais em três dias de negócios.

Aconteceu entre os dias 28 e 30 de maio uma das mais importantes feiras do cenário cervejeiro, a Brasil Brau. Com frequência bienal, o evento se fez na São Paulo Expo e contou com a participação de 135 expositores de equipamentos, insumos, embalagens, soluções e afins. No mesmo espaço, ocorreu o Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, além de diversas apresentações no espaço denominado Brewer Lounge.

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Participação no Brasil Brau como cortesia de Guilherme Caires!

O que ficou evidente já na chegada foi que muitas empresas de fora vieram oferecer seus produtos no Brasil acreditando no crescimento do cenário cervejeiro por aqui. Destaque para as empresas chinesas que, entre tanques, fermentadores, barris, válvulas e outros produtos, ocuparam um bom espaço.

Outras presenças interessantes foram de representantes europeus de insumos e conteúdo que enxergaram aqui um espaço. Ainda que o Brasil Brau seja direcionado para o público industrial, mesmo que de pequeno porte, foi possível sondar novidades para os cervejeiros caseiros também.

Equipamentos

Como muito bem disse Giancarlo Vitale, da Cervejaria Antuérpia, essa mesma feira há algumas edições atrás apresentava apenas soluções pra quem produzisse muito, mais de 1 milhão de litros por mês. A edição desse ano trouxe soluções para produções bem pequenas, com fermentadores de 100 litros (e até 50 litros, feitos sob encomenda).

Essa movimentação do mercado é muito interessante pelo simples fato de revelar a relevância que as cervejarias menores tem ganhado. Linhas inteiras que cabem em pequenos galpões. Moedores, filtros e trocadores de calor para pequenos volumes. Engarrafadoras e enlatadoras semi-automáticas para produções limitadas.

Mas, citando mais uma vez o Giancarlo, ainda há espaço para inovação e lançamentos de equipamentos voltados para cervejas extremas. O exemplo dele foi com Barleywines, mas o mesmo vale para Russian Imperial Stouts, Baltic e Robust Porters, Wee Heavy e tantas outras que utilizam volumes cavalares de malte. Não deve estar longe de acontecer.

Insumos

Me segurei até agora, mas chegou a hora: lúpulos franceses! Parece mais do mesmo, mas o fato é que eles tem pesquisado novas espécies com perfis bastante particulares e essa ideia me fascina. Pra citar um exemplo, a variedade Triskel é carregada de notas florais e frutas doces. Ainda são poucos os lúpulos comercializados, mas a pesquisa continua. Em breve publicarei um texto específico sobre isso.

Ainda em lúpulos, o stand da USA Hops estava lotado. Representando os principais nomes exportadores estadunidenses, trouxeram amostras e cervejas fabricadas com espécies bastante características daquele mercado. Também acompanharam o tema os stands da Eureka, da Granobrew e da Agrária, todos com outros insumos também.

Aparecendo muito forte como patrocinadora e expositora, a Prozyn veio com a proposta de desmistificar o uso de aditivos e coadjuvantes na produção de cerveja. Um contraponto ao pequeno stand da Yeastlab, produtora de leveduras em solução líquida dos mais diversos estilos. Já a Fermentis trouxe uma inovação, digamos, curiosa. Uma solução de leveduras em suspensão usada para aumentar a turbidez de cervejas.

Vale dizer que aqui o mercado atinge diretamente o produtor caseiro. Todas as marcas tem parcerias com brewshops e/ou canais de venda diretos. Vale a pena estudar os produtos desses players, já que são os mesmos que atendem cervejarias de todos os tamanhos, ou seja, são produtos que você já consome e nem percebe.

Consumidor final

Não ficaram de fora os bares, restaurantes, tap houses e afins. Fabricantes de copos, chopeiras, tap handlers, growlers e afins acharam o seu espaço e apresentaram seus produtos. Destaque para as inovações em chopeiras, cada vez mais atraentes e eficientes. Estava em exposição e em uso um modelo com gela-copo embutido, inclusive.

Conteúdo, Educacional e Administração

Como não podia deixar de aparecer, a Revista da Cerveja trouxe exemplares e brindes para novos assinantes. Completando mais um ano de sucesso e reconhecimento, a publicação comemora sua relevância e influência no cenário nacional. Mas há espaço para mais. A publicação alemã Brauwelt, com edições em diversas línguas e países, estuda uma expansão para o Brasil.

Já a Editora Krater aposta na tradução de grandes títulos internacionais para fazer seu nome e atender uma demanda crescente por conhecimento. Foi esse o foco também do stand da Escola Superior de Cerveja e Malte, promovendo novos cursos e ansiosos por expandir suas turmas na terra da garoa. Com sede em Blumenau, a parceria com a São Judas colaborou para tornar esse plano realidade.

Estavam presentes, também, empresas que se especializaram em marketing cervejeiro e na administração de fábricas e estabelecimentos comerciais. Um nicho interessante, devo dizer, já que a maioria dos grandes nomes nessas áreas acabam sendo empresas bem genéricas e que dependem de muita customização para se aderirem ao modelo cervejeiro.

Conclusão

Ficou de fora, mas vale dizer que empresas que não são voltadas para o mercado de cervejas, ou mesmo de bebidas, também estavam presentes. Essa é mais uma evidência do crescimento desse mercado e de como o país caminha para tornar o cenário mais especializado e direcionado. Havia espaço para mais players, inclusive marcas B2B, o que deve aparecer na próxima edição do Brasil Brau.

Senti falta de alguns nomes grandes, como o Instituto da Cerveja e absolutamente todos os brewshops, mas entendo que o público deles não é exatamente o mesmo da feira. No entanto, a presença deles poderia ter enriquecido e engrossado o discurso do evento. Também vi pouco material voltado para sommelieria e serviços.

Poderiam ter aproximado mais as organizações da feira e do Mondial, assim como trazer de volta o Degusta Beer & Food, mas fica como sugestão. Acredito que haja muito espaço para tornar o evento ainda maior e aproximar de um público cada vez mais amplo.

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