Opinião: Cerveja do dia a dia

Grande circulação, Premium, Especial, Artesanal ou Caseira. Qual a sua cerveja do dia a dia?

Ainda que as artesanais e as microcervejarias estejam ganhando o mercado, sempre temos aquela cerveja para receber pessoas em casa, ou mesmo tomar sem compromisso, uma cerveja do dia a dia. Resolvi, então, falar um pouco sobre ela, que muitas vezes nem chega a ser marcada no Untappd.

Cerveja do dia a dia, uma escolha muito pessoal.
Cerveja do dia a dia, uma escolha muito pessoal.

Você já me conhece um pouco, sabe que gosto de uma boa cerveja, de estilos variados e de rótulos novos. Mas nem sempre é possível ter um estoque de cervejas assim em casa, seja pelo preço que algumas garrafas atingem, seja pelas gôndolas eventualmente vazias dos mercados. Também é complicado oferecer uma cerveja especial de paladar complexo para um amigo que toma “a mais gelada”.

Por isso, se você aparecer em casa de repente não vai receber uma Dragão Peregrino Ale ou uma ESB para beber. Provavelmente vou te oferecer uma Heineken. Uma marca de grande circulação e sem muita complexidade, fato. Mas uma cerveja que atende aos requisitos pessoais que determinei como fundamentais para uma cerveja do dia a dia.

Entre conversas e leituras, percebi que, mesmo o mais renomado sommelier, tem um rótulo que mantém em casa. E como determinar que cerveja é essa?

Por ser uma escolha com critérios extremamente pessoais, seria loucura escrever um guia, ou mesmo uma lista de indicações, mas cabe colocar algumas opiniões. Nos meus requisitos, por exemplo, acho importante a cerveja ser puro malte. Antes de soltarem os cachorros, já tomei ótimas cervejas que não são puro malte, como a do Cadú (que estou devendo um podcast, já gravado), e gosto de estilos que exigem receitas com outros grãos, como as Witbiers.

Mas, nas cervejas de grande circulação, aquelas que são puro malte costumam me passar melhores sensações do que as que não são, e isso é o suficiente para que eu as escolha. Esse critério é muito semelhante ao do Yuri, por exemplo. Sei que ele gosta muito da 1500, uma cerveja puro malte que tem ganhado espaço em redes de supermercado. Eis que entra outro critério pessoal: prefiro cervejas que não utilizam aditivos químicos na receita, como estabilizantes, flavorizantes e acidulantes.

Citei esses porque são os que vem descritos no rótulo. Alguns, como o famoso corante caramelo, não são obrigatórios de aparecerem na listagem de ingredientes. Acredito que, ao longo das degustações que fiz, tenha notado que cervejas sem esses componentes costumam trazer sensações melhores que aquelas que os tem. Mas eu poderia ter optado por manter garrafas de Kirin na minha geladeira, por exemplo.

Surgem, então, outros critérios, periféricos, que influenciam na minha compra. Uma vez escolhida a cerveja, verifico os dois critérios acima. Estando eles satisfeitos, vejo preço, validade e apresentação. Todos os três não são excludentes, mas podem alterar minha escolha. Por exemplo, tenho preferência por cervejas em garrafas. Sei que as latas protegem melhor o líquido da luz e que são mais fáceis de transportar, além de questões ambientais (ambientalista!), como a reciclagem do alumínio e tal. Mas na garrafa a cerveja parece mais jovem, mais fresca.

A validade é apenas para garantir que não vou oferecer cerveja vencida. Devo citar que não vejo problema em tomar cervejas vencidas, mas oferecer já é outro papo. E você há de perguntar “mas uma garrafa fica tanto tempo assim na sua geladeira?”. Eventualmente, sim. Certa vez fizemos a compra das cervejas dos programas do mês, então já tinha, de cara, 4 rótulos na prateleira. Chegou a caixa do HNB (agora WBeer), mais 2 rótulos. Recebi umas caseiras de alguns amigos, um presente de outros. Em resumo, tinha cerca de 12 rótulos (e nem sei quantas garrafas) na geladeira. Você pode imaginar como minha mulher “adorou” ver tudo aquilo. Não pela cerveja, porque ela sempre toma comigo (e comenta as sensações dela), mas por ter quase metade da geladeira ocupada.

Assim, minhas garrafas de cerveja do dia a dia ficaram esquecidas por um bom tempo na gavetinha. Não chegaram a vencer, mas ficaram bem próximas a isso. Agora, é curioso que essa mesma conversa há uns anos atrás traria outra resposta: Brahma. Se fosse nos tempos de faculdade (e república), Skol. Cursinho? Antártica (e Original na sinuca). Aqui no site temos vários perfis e várias respostas pra qual seria a cerveja do dia a dia de cada um. Na família, então, vai de Crystal tomar uma cerveja e Rio Claro a Baden Baden (magnata!).

E por que meu paladar mudou tanto? Na casa de amigos e familiares as cervejas ainda são as mesmas. Digo que a culpa é das especiais. Esse mundo de estilos e rótulos “estragou” meu paladar e hoje não escolho aquelas marcas que citei como primeira opção. Bebo sim, para acompanhar e me divertir com a galera. Mas não mantenho na minha lista de compras.