Sanitização

Um dos erros mais comuns dos cervejeiros caseiros é também uma das etapas mais importantes da fabricação: o cuidado com a Sanitização.

Você separou todos os ingredientes, reservou a água, moeu o malte e começa a fazer sua cerveja. Tudo que você espera é que ela fique do jeito que você planejou, mas um descuido pode colocar tudo a perder. A sanitização dos equipamentos, ferramentas e vasilhames não pode ser colocada em segundo plano, deve fazer parte do planejamento tanto quanto pesar o lúpulo, por exemplo.

Sanitização: nem as garrafas podem escapar!
Sanitização: nem as garrafas podem escapar!

É sempre bom manter tudo limpo, mas nem tudo precisa ser sanitizado. Qualquer equipamento que for usado antes da fervura precisa estar livre de resíduos, mas não precisa de cuidados extras.

A partir do momento que o fogo é apagado, tudo, e é bom reforçar, tudo deve passar por sanitização. O principal motivo é para evitar a contaminação da cerveja por organismos invasores, como leveduras selvagens e bactérias.

As práticas de sanitização são diversas, mas algumas são mais tradicionais. O uso de ácido peracético, por exemplo, tem sido muito bem aceito e rendido ótimos resultados. Mas cada método tem suas limitações e cuidados. Veja a lista:

  • Sanitização química: É a mais comum. Caracteriza-se pelo uso de produtos químicos para garantir a redução de organismos a níveis seguros. Sua principal preocupação deve ser com as contra-indicações de cada produto. Água sanitária é famosa por deixar gosto, portanto lave com água fervida após o uso. Ácidos não vão bem com metais, então os reserve para os pláticos e vidros. Iodo funciona bem, mas deixa coloração em qualquer que seja o material;
  • Sanitização térmica: Única que pode efetivamente esterilizar um objeto e que pode ser facilmente feita em casa. Seria a ideal, não fosse sua limitação de uso. Plásticos estão fora dessa categoria! Mas essa pode ser uma ótima opção para vidros, como as garrafas, por exemplo. O tempo de contato e a temperatura ideal variam inversamente, mas é fácil encontrar material na internet que apresentem estes números;
  • Sanitização barométrica: Praticamente impossível de ser feita em casa, exceto nos casos onde é possível utilizar a panela de pressão. É comumente feita em conjunto com a sanitização térmica, mas é difícil de se fazer em casa sem os equipamentos apropriados.

Boa parte do que está aqui veio de um livro chamado How To Brew. Existe uma versão digital, em português, para quem se interessar. O link foi fornecido pelo Lucas, sempre presente nos comentários, e pode ser encontrado aqui.

A não Sanitização

E se você não sanitizar, o que pode acontecer? Bom, a contaminação externa é mais que certa e isso deve trazer consequências ruins, até preocupantes. Os famosos off-flavors, a grande maioria causados por contaminação, deixarão sua cerveja com sabores nunca desejados, como couro, papelão, ou mesmo chiqueiro.

Mas pode ser pior. Algum dos contaminantes pode ser prejudicial à saúde e, além de tornar sua cerveja ruim, pode causar uma série de efeitos colaterais. Enjoos, diarréia, mal estar, ou seja, tudo aquilo que uma cerveja não deve causar.

Para não ter surpresas desagradáveis, certifique-se de limpar e sanitizar bem todos os equipamentos, evite condições que possam propagar ainda mais os contaminantes e lembre-se que você também faz parte da equação! Sim, lave bem as mãos, use luvas e tocas, quando possível. A boa cerveja é resultado de muitas coisas, incluindo a sanitização!